Projeto de produção e edição de vídeos como proposta pedagógica

Como podemos abordar um determinado tema/assunto/tópico em sala de aula? Existem muitas maneiras, métodos, materiais e estratégias, não é mesmo? Vejamos alguns: leitura de textos; pesquisas; debates; vídeos; áudios; aulas expositivas; metodologias ativas, etc.

Nessa perspectiva, ao ler um artigo sobre a transposição do rio São Francisco, observei que as palavras “Bacias Hidrográficas” – que vou, aqui, abreviar como BH – foram muito citadas, mas não explicadas. Elas apareciam frequentemente no texto. Sem entender o que elas são, de fato e com clareza, o entendimento do artigo fica muito comprometido.

A partir dessa constatação, como educador – mesmo não sendo da área em questão -, me vieram à cabeça, essencialmente, duas reflexões:

  • será que todos os leitores desse artigo sabem o que elas são?
  • como eu abordaria, em sala de aula – num primeiro momento, e, depois, fora dela também -, o assunto “BH”?

Atualmente, estou muito envolvido com a produção e edição de vídeos na educação. Então, a proposta, nesse texto, será nessa direção. Um vídeo que me inspirou a escrever esse artigo segue nesse link. Ao assisti-lo, logo imaginei como seria preparar os alunos para fazer algo semelhante.

O que abordarei a seguir se refere ao tema exposto nesse texto, mas a ideia é que a estrutura proposta seja replicada a partir de qualquer tema, área do conhecimento ou componente curricular.

Como seria esse “plano de aula/projeto”?

  • Objetivo/meta: definir, explicar o que é uma BH e qual a sua importância – e possível relação – com um determinado rio. No nosso caso, além disso, determinar se há relação – e, se houver, qual – da BH do rio São Francisco com a sua transposição. Tudo isso através da produção e edição de um vídeo.
  • Produto/projeto a ser entregue: Vídeo.
  • Metodologia: Aprendizagem baseada em projetos. Tabelas sobre o projeto – que, aqui chamarei de TP – com itens tais como “O que eu já sei”; “O que eu quero saber”; “O que eu aprendi”, a serem preenchidas ao longo do projeto, são muito utilizadas nesse tipo de abordagem. Nesse texto, não me aprofundarei nesse assunto, pois o foco é o vídeo a ser produzido.

Em sala de aula e fora dela

Num primeiro momento, os alunos se reuniriam em grupos e cada um pesquisaria a respeito do tema, a partir da leitura do artigo em questão, preenchendo a TP ao longo de todo o projeto. Imagine quantos questionamentos e reflexões surgiriam dessa atividade nesse momento inicial. Cito apenas um que imagino ser um exemplo bem interessante:

  • Para falar das BH, seria interessante abordar, inicialmente, o assunto “água”? Se for, com qual viés? Químico, biológico, geográfico, outros?

Depois da pesquisa e das reflexões, os alunos iniciariam o desenho do projeto – nesse caso, a produção do vídeo. E, nesse ponto, surgiriam questões do tipo:

  • quais temas serão abordados no vídeo?
  • qual a sequência a ser adotada?
  • será animação, sequência de imagens, entrevistas ou o quê?
  • será um documentário, uma ficção ou um vídeo com viés jornalístico?
  • haverá filmagens de cenas externas ou não?
  • qual será o roteiro?

Definido o desenho, passaríamos para a produção do vídeo em si. Quantas competências e habilidades não seriam desenvolvidas para desenhar e produzir esse vídeo a partir das pesquisas e reflexões realizadas, além do aprendizado do conteúdo envolvido?

Na chamada pós-produção – resumidamente, edição e adição de efeitos ao vídeo -, outras habilidades seriam desenvolvidas também. Por exemplo: quando se pensar em cortar um trecho do vídeo, isso deverá ser feito com critério e justificado com argumentação – que será discutida e avaliada no momento oportuno -, assim como quando da escolha de uma cor ou de uma transição, trilha sonora, etc.

Ou seja, além das habilidades técnicas, desenvolveríamos competências como argumentação, senso crítico em cada uma das operações citadas no parágrafo anterior e outras mais.

Enfim, a produção e edição de vídeos desenvolve competências e habilidades – além do conteúdo abordado – adequadas ao século em que vivemos dentro e fora da sala de aula com uma imersão que torna o aprendizado extremamente significativo, colaborativo, e criativo. Além de tudo isso, essa proposta está alinhada à competência 5 – Cultura digital – da nova BNCC.

Prof. Carlos Sanches

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